São Paulo, 12 de Dezembro de 1962
Tenho
andado pela casa me perguntando onde erramos. Depois da discussão da
semana passada não consigo mais te reconhecer... Eu te amo como nunca
amei alguém, porque como já te falei, você foi o meu primeiro namorado e
vai ser difícil te esquecer, sim, vai. Ainda não acredito que
terminamos, depois de três anos, um tempo longo e que eu esperava que
nunca passasse. Estou tão triste, escrevo-te chorando e tomando cuidado
para que as lágrimas não molhem o papel. Você sempre dizia que eu sou
muito emotiva e choro por tudo e me adorava por isso, só não gostava de
assistir a filmes românticos comigo.
Sabe,
estou tentando entender porque você fez aquilo comigo. Se te faltava
alguma coisa, porque não falou para mim? Com tanto tempo de carinho e
declarações de amor, claro, eu acreditava que você também me amasse,
como alguém fingiria tão bem? O amor é coisa rara, e só é representado
tão bem por quem realmente o sente, e, sorte daqueles que o sentem... Eu
poderia dizer-te muitas vezes, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te
amo, mas creio que você leria o primeiro e partiria para a conclusão de
tudo.
Bem, estou partindo para
Londres, quero fugir de todas as coisas que me lembram você, mas sei que
as lindas lembranças, infelizmente, essas não poderei deixar, pois não
consigo, nem se eu fosse para o Japão. Todas aquelas fotos que tiramos,
eu irei guardar com todo carinho, porque não descarto nunca, as pessoas
que passam pela minha vida. Mas quero relembrar de nós dois muito
vagamente. Amei tudo o que passamos juntos e espero que você tenha a
mesma felicidade com as pessoa que foi a única causa da nossa separação.
Apesar
da nossa discussão ter sido apenas uma troca de olhares, porque eu não
gosto de discussões e você sabe disso, resolvi escrever uma carta. Agora
eu sei que, provavelmente você leu, amassou, a jogou pela janela e
agora ela está molhando na chuva, sendo apagada pelas gotas d'água que
caem forte, levando embora a nossa linda história.
Adeus.
