terça-feira, 29 de novembro de 2011

Carta de despedida


São Paulo, 12 de Dezembro de 1962

Tenho andado pela casa me perguntando onde erramos. Depois da discussão da semana passada não consigo mais te reconhecer... Eu te amo como nunca amei alguém, porque como já te falei, você foi o meu primeiro namorado e vai ser difícil te esquecer, sim, vai. Ainda não acredito que terminamos, depois de três anos, um tempo longo e que eu esperava que nunca passasse. Estou tão triste, escrevo-te chorando e tomando cuidado para que as lágrimas não molhem o papel. Você sempre dizia que eu sou muito emotiva e choro por tudo e me adorava por isso, só não gostava de assistir a filmes românticos comigo.
Sabe, estou tentando entender porque você fez aquilo comigo. Se te faltava alguma coisa, porque não falou para mim? Com tanto tempo de carinho e declarações de amor, claro, eu acreditava que você também me amasse, como alguém fingiria tão bem? O amor é coisa rara, e só é representado tão bem por quem realmente o sente, e, sorte daqueles que o sentem... Eu poderia dizer-te muitas vezes, eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo, mas creio que você leria o primeiro e partiria para a conclusão de tudo. 
Bem, estou partindo para Londres, quero fugir de todas as coisas que me lembram você, mas sei que as lindas lembranças, infelizmente, essas não poderei deixar, pois não consigo, nem se eu fosse para o Japão. Todas aquelas fotos que tiramos, eu irei guardar com todo carinho, porque não descarto nunca, as pessoas que passam pela minha vida. Mas quero relembrar de nós dois muito vagamente. Amei tudo o que passamos juntos e espero que você tenha a mesma felicidade com as pessoa que foi a única causa da nossa separação.
Apesar da nossa discussão ter sido apenas uma troca de olhares, porque eu não gosto de discussões e você sabe disso, resolvi escrever uma carta. Agora eu sei que, provavelmente você leu, amassou, a jogou pela janela e agora ela está molhando na chuva, sendo apagada pelas gotas d'água que caem forte, levando embora a nossa linda história.
Adeus.