sábado, 31 de março de 2012

Caio Fernando Abreu - Pálpebras de Neblina



Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: "Não digas 'Eu sofro'. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/ que era sofrer ?" Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia - coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban - filme. Resplandecente de infelicidade, eu subia a Rua Augusta no fim de tarde do dia Tão idiota que parecia não acabar nunca. Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás. Foi então que a vi. Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega - aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo malpintado, cara muito maquiada, minissaia, decote fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar comum patético. Em pé, de costas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro, na esquerda um copo de cerveja.
E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar - exposta, imoral, escandalosa - sem se importar que a vissem sofrendo. Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para a própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de néon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas de cada dia - uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, uma caixa de figos. Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha, dor de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando mais leve. Mas só quando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87: explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: carnaval, futebol. E lágrimas. Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?

(in: Pequenas Epifanias)


A vida é assim: Melhores amigos estarão sempre juntos, aconteça o que acontecer.
Caio Fernando Abreu


Fraco é aquele que muda para agradar aos outros. 

terça-feira, 27 de março de 2012

...




"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva boias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará. 
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente. 
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo."

Caio Fernando Abreu

sábado, 24 de março de 2012



E eu sempre vou ter esse medo idiota de perder as pessoas que eu amo.

quinta-feira, 22 de março de 2012



Don't wanna break your heart, wanna give your heart a break. I know, you're scared it's wrong. Like you might make a mistake, there's just one life to live. And there's no time to waste, to waste. So let me give your heart a break, give your heart a break, let me give your heart a break, your heart a break.

Give Your Heart A Break - Demi Lovato

quarta-feira, 21 de março de 2012





Não espere, não crie expectativas (…) vá vivendo, vá sorrindo.


originally p-alavrasquevoam · via desacrediteiemmim 

Ponha Deus no começo, e Ele cuidará do fim {:


terça-feira, 20 de março de 2012




Quanto mais procuro entender, em mais perguntas me afundo.
Shawlin

domingo, 18 de março de 2012


Tudo que parece meio bobo é sempre muito bonito, porque não tem complicação.
Coisa simples é lindo. E existe muito pouco …
— Caio Fernando Abreu

Eu plantaria você


Se eu pudesse colheria cada sorriso seu e plantaria no meu jardim. Mas o jardim também seria seu, porque cada flor que nasceria seria um coração vermelhinho cheio de carinho que você cativou. Se eu pudesse plantaria em você todos os meus desejos para que um dia, você os tomasse em mãos e fosse em busca de realizá-los. Talvez um dia o verde desapareça e reste em nós dois apenas o seco do ar e o vazio de nossas mentes, mas mesmo assim eu iria te guardar comigo e levar no meu bolso. Sei que não poderei te pegar pelos braços e dizer o quanto és lindo, mas te sinto em mim e isso já me basta. 
Se eu pudesse te tomaria como um café quente, te esfriaria em mim e guardava para sempre.

sexta-feira, 16 de março de 2012



 

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'. 
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 13 de março de 2012


Não perca quem você é no borrão das estrelas, ver é enganar, sonhar é acreditar. Tudo bem não estar bem. Às vezes é difícil de seguir seu coração, lágrimas não significam que você está perdendo. Qualquer um se machuca, só seja verdadeiro com quem você é...
 Who u are - Jessie J.

sábado, 10 de março de 2012





E quando a gente menos espera, quem a gente menos imagina vem e nossurpreende com seus atos. (s-a)

Eu sou assim


Não me importo se veem o que eu faço. O que mais quero saber se aquilo que eu faço está me fazendo bem ou se é apenas para ocupar minha mente de pensamentos toscos. Eu gosto de coisas mais antigas e do simples, e pronto acabou o assunto. Eu sou assim, se você não gosta de mim eu não me importo, mas se você gosta eu vou retribuir da mesma forma, porque a vida é feita de agradecimentos e coisas para serem ditas, e para satisfazer o prazer de alguém. Tudo o que eu vou sentir cabe a mim designar o que seja, o gosto que vou sentir é o sabor do meu experimento é a aventura de provar algo que nunca fiz ou que faço várias vezes. Eu continuo não entendendo porque as pessoas não curtem a sua própria vida. Tchau!  :)

terça-feira, 6 de março de 2012



Não sei o que seria da minha vida sem a música, mesmo. Se eu pudesse tudo seria tipo como em filme ou novela, que em cada situação há uma música de fundo, como sendo a trilha sonora. Eu acordaria ouvindo música e  dormiria ouvindo música.

sexta-feira, 2 de março de 2012





 Quando ela era apenas uma garota, ela esperava o mundo... Mas ele voou fora de seu alcance, então ela fugiu em seu sono...

Paradise - Coldplay

quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma reflexão curta



Estou tentando buscar uma verdade que eu não quero acreditar. É como se estivesse a vendo na minha frente, na verdade milhares delas, todas disfarçadas. Por traz de cada disfarce um objetivo, me iludir. Às vezes eu perco a esperança em achar que a ingenuidade ainda existe, por ver e ouvir tantas situações na minha vida. Mas logo a recupero, ao lembrar o sorriso de uma criança, do brilho no seu olhar ao falar que é feliz.
Fiquei pensativa quando ouvi de alguém isso: “Eu não acredito em mais ninguém, desiludi”. Pus-me a imaginar o que teria levado aquela pessoa a ter tal convicção. Quem arrancou dela todas as emocionantes estrelinhas de sonho? Perguntei-me por que tratam o amor, o carinho, o brilho, a emoção como “todas aquelas coisas”. Mesmo assim eu quero acreditar, que Todas Aquelas Coisas existam para alguém, assim como existem para mim. Quero experimentá-las “bem muito”.