Vivo cometendo erros, vários erros. Mudo de ideia muito
fácil, a indecisão faz parte de mim. E essa sou eu, no auge da minha juventude.
É o que sempre me dizem, quando digo que estou ficando velha, dizem que acabei
de nascer, especialmente as minhas tias, elas acham que da vida nada sei ainda.
Pois me pus a pensar, o que realmente eu já vivi, e cheguei à conclusão de que,
ao contrário do que as minhas tias pensam, eu já vivi sim, não tanto tempo, mas
um tempo, digamos, considerável. Dezenove anos não são dezenove dias, dezenoves
anos são dezenove anos. O que acho que posso alcançar vai além dos anos que já
completei. Posso dizer que passei por algumas experiências um tanto quanto
memorizáveis. Na vida amorosa? Sou bastante desastrada nesse quesito, não levo
o menor jeito com essa coisa, como é mesmo o nome? Ah é, Amor! Isso, Amor, com
letra maiúscula mesmo. Pois é algo grande, mas que não pude viver. Não por
opção, mas pelo simples fato de não ter encontrado a famosa metade da laranja
de que todos falam. Eu sou uma boba romântica! Acho que a vida pode ser como um
daqueles filmes de romance ou comédia romântica que eu particularmente adoro.
Que para cada cena da vida, cabe uma trilha sonora, e para cada pessoa exista
outra pessoa, o seu par. Pois é, mas o que acontece é que eu realmente estou
ciente de que definitivamente eu não esteja predestinada a arranjar alguma
metade para minha pessoa, você assim como outras pessoas pode achar isso parecido
ou igual a desespero, já eu considero isso como um tipo de pensamento realista.
Sinceramente não quero mais ir atrás de algo que eu não tenho certeza se
existe, digo, o que há realmente por trás de um bonito sorriso e um olhar
encantador? Pois é isso que eu busco saber, não quero me contentar com o
simples fato de alguém ser bonito, alto, forte ou ter um bom emprego, ganhar
bem, ou ser feio, magrelo e não ter emprego algum. Tudo isso é uma carcaça, já
parou pra pensar nisso? Eu penso sempre! Todos nós temos uma alma, um ser, uma
pessoa. Enfim, nós somos muito mais que um visual, uma aparência. Deve ser por
isso que não tenho sucesso com esse negócio. O amor não é o encontro de duas
almas? Pois então, são duas almas, não são simplesmente dois corpos... Cansei
de buscar aquele cara que vá me ligar pra me perguntar se eu estou bem, e dizer
que estava pensando em mim. Aquele cara que vai me olhar no fundo dos meus
olhos e construir um diálogo criativo, bem humorado. Um cara que vai me ver com
olhos de ternura, vai querer me proteger e me passar segurança. Não quero a
pessoa perfeita, claro, isso é impossível, até porque nós todos somos falhos,
mas, o que estou querendo dizer é que, cansei de achar que exista alguém que
queira algo além de um beijo, algo além de um abraço, algo além daquele desesperado
contato físico. Sério, realmente desisti. Sempre me apaixono pela pessoa
errada, é incrível como isso sempre acontece comigo. Realmente não tenho sorte
no amor e isso nem me importa mais. Eu realmente queria fechar as portas do meu
coração, que sinceramente já foi muito machucado, e esquecer essa parte da
vida, a parte de amar e ser amada. Ah, o que acontece quando me apaixono?
Simples, ou a pessoa nem sabe da minha existência, o que é só um detalhe, ou
ela não corresponde. Tenho ou não tenho motivos para desistir disso? Claro que
sim! Tenho mais um desejo, só um: parar de ser tão tonta e boba de achar que o
amor da minha vida vai aparecer e se apaixonar por mim e vamos viver juntos
para sempre, ter filhos e morrer velhinhos de mãos dadas.