terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Se eu fosse (do verbo ser e não do verbo ir) a chuva



Eu diria: “Sabe aquela nuvem cinza? Sou eu me enchendo de glória. E sabe aquele vento frio e gostoso? Pois é, esse também sou eu. Está tudo tão escuro e no céu parece que há uma onda enorme prestes a desabar, sou eu me preparando para molhar tudo com muitos pingos d’água. Já ouvi muitas histórias sobre mim. Dizem que quando eu caio é o céu chorando, mas isso é impossível, pois sou o momento mais feliz de todo aquele azul. Também dizem que sou o resultado da evaporação de rios, lagos e lagoas, completando um tal de um ciclo, mas essa, sinceramente, é a versão mais chata que eu ouço sobre mim. Bom, também ouvi dizer que sou um momento romântico, e sabe eu sou mesmo.
Lavam-se muitas almas comigo, e muitos eventos são cancelados também. É que eu não gosto de seguir um regulamento, chovo sempre que tenho vontade... Já caí muitas vezes no meio de lábios selados, é que dizem que o beijo na chuva é o mais apaixonado. Sou fria como as lembranças que trago, elas saem como presentes na alma e fixam-se de leve. Todo aquele cinza é maravilhoso. Sei que causo muitos desastres em alguns locais, mas aí já não é culpa minha, dependendo do momento sou conseqüência e hábito nada bons e eu sinto muito por isso.
Enfim, sabe aquela nuvem cinza que dizem estar sobre a cabeça de alguém quando ela está triste? Não sou eu não, é ilusão de ótica! Sou uma simpatia só, e eu amo molhar o que não é para ser molhado. O amor? Ah, ele é molhável sim, aliás, ele é resistente a qualquer clima, é forte, fazer o que né?