Eu diria: “Sabe aquela nuvem
cinza? Sou eu me enchendo de glória. E sabe aquele vento frio e gostoso? Pois
é, esse também sou eu. Está tudo tão escuro e no céu parece que há uma onda
enorme prestes a desabar, sou eu me preparando para molhar tudo com muitos
pingos d’água. Já ouvi muitas histórias sobre mim. Dizem que quando eu caio é o
céu chorando, mas isso é impossível, pois sou o momento mais feliz de todo
aquele azul. Também dizem que sou o resultado da evaporação de rios, lagos e
lagoas, completando um tal de um ciclo, mas essa, sinceramente, é a versão mais
chata que eu ouço sobre mim. Bom, também ouvi dizer que sou um momento
romântico, e sabe eu sou mesmo.
Lavam-se muitas almas comigo, e
muitos eventos são cancelados também. É que eu não gosto de seguir um
regulamento, chovo sempre que tenho vontade... Já caí muitas vezes no meio de
lábios selados, é que dizem que o beijo na chuva é o mais apaixonado. Sou fria
como as lembranças que trago, elas saem como presentes na alma e fixam-se de
leve. Todo aquele cinza é maravilhoso. Sei que causo muitos desastres em alguns
locais, mas aí já não é culpa minha, dependendo do momento sou conseqüência e
hábito nada bons e eu sinto muito por isso.
Enfim, sabe aquela nuvem cinza
que dizem estar sobre a cabeça de alguém quando ela está triste? Não sou eu
não, é ilusão de ótica! Sou uma simpatia só, e eu amo molhar o que não é para
ser molhado. O amor? Ah, ele é molhável
sim, aliás, ele é resistente a qualquer clima, é forte, fazer o que né?
