Tendo uma indecisão em mente ele foi. Levando consigo apenas uma mala velha de onde se via detalhes de roupas saindo para fora. Fizera a mala o mais depressa que pôde. Não suportava mais viver com aquele clima de tensão que havia se formado em sua própria casa. Casa onde viveu momentos maravilhosos. Onde saíram vários ''Eu te amo''. Onde se foram várias gargalhadas. Agora o que sobrara daquilo tudo. Apenas a mágoa e a incerteza de como continuar. Eram casados há 8 anos. Léo era apaixonado por Gabi. O amor foi tão intenso, segundo um deles.
Rastros de arrependimento iam aparecendo à medida que ele andava. Aquele sentimento era terrível. Era como se não conhecesse a mulher com quem fora casado por um tempo. O olhar, as palavras e os gestos haviam mudado completamente. E agora não sabia o que fazer e para onde ir. A única coisa que queria era poder não sentir a mágoa que afundava seu coração naquele momento.
Quando decidimos nos casar... Realmente achamos que devemos viver o resto da vida somente com aquela pessoa. A amando na alegria, na tristeza, na saúde, na doença até que a morte separe-nos. O que há? Ou criaram esse discurso para ficar algo ''bonitinho'' para ter o que dizer. Ou somos hipócritas o bastante para pronunciar palavras tão belas e de sentido tão profundo, para não conseguirmos cumpri-las? Quantos e quantos casamentos se desfazem, quantos e quantos casais passam a se odiar. Para mim, nunca teve de haver amor aí. Segundo minha pesssoa, o amor é eterno, o amor não passa assim, de uma hora para outra. Ele é paciente. Onde ficou aquele sentimento, pronunciado no momento de carinho? Onde ficou aquele coração apaixonado e com sede de afeto? Onde ficou o querer bem? Sentimentos assim, somem simplesmente? Não no meu mundo. Estamos virando robôs? Talvez seja isso mesmo, e eu estou cega demais para enxergar tanto racionalismo.
