quinta-feira, 7 de abril de 2011

O tamanho do meu mundo




''Qual é o tamanho do mundo, papai?'' Clara fez a pergunta na ponta dos pés e de olhos esperançosos, direcionada para seu pai, esperando uma resposta. Seu pai, riu, pegou em sua pequena mão e respondeu: ''Ah Clara, o mundo é muito grande, maior do que você, sua sapeca!'' Ao contrário do que o pai de Clara pensava, ela queria uma reposta convincente. 


 [...]

               ''O mesmo eu me pergunto, qual será o tamanho do mundo? Bem, do mundo mundo, eu não sei. Sei o tamanho do MEU mundo. Posso descrevê-lo aqui, agora. Mas posso dizer logo, ele é escondidinho e só pode ser acessado por quem enxergar a porta principal. Nele, posso dizer que as pessoas são muito belas. Não a beleza padrão, que se vê em jornais, revistas e afins. Essa beleza, é mais bonita, é bem cara, mas,  vem gratuita, em especial para qualquer um. As ruas tem como calçadas a felicidade, onde se transita livremente e sem se preocupar com o horário. Relógios, simplesmente, não existem. O ar é puro, respira-se como se estivesse colhendo flores no campo. Aquele cheiro doce e suave. O sol brilha de maneira mais dourada e faz sombra para quem o pedir. A noite as pessoas não dormem, pois o que vivem pela manhã já é o sonho praticado. Os pensamentos são tão puros que, saem por sobre as cabeças das pessoas, letrinhas coloridas e de todos os tamanhos. Os animais têm passo livre e não vivem presos a nada, falam como gente. O amor é a única lei que existe. Você pode não entender, mas com certeza pode imaginar. Posso te dizer o tamanho do seu mundo. Porque o mundo de cada pessoa tem sempre, alguma coisinha bem parecida, com o mundo do vizinho.''

          Clara, terminou de ler, fechou seu caderno e voltou para sua carteira. A professora, muito orgulhosa deu-lhe nota dez. Clara olhou para seu colega ao lado e observou que, curiosamente, saíam pequenas palavras de seus ouvidos. Flutuavam rápidas e felizes. Ela sabia que não estava tendo alucinações, sabia que aquilo era o mundo de sua mente, criando frutos férteis saídas de sua imaginação. A menina então percebera que a pergunta que fizera ha 8 anos para seu pai, tinha finalmente sido respondida.