Ao chegar em casa, se jogou na cama e enfiou a cabeça no travesseiro, e ao fazer isso percebeu o que estava acontecendo com ela, ou não, porque aquilo era sem explicação. Ela não entendia o que estava sentindo. Não conhecia o garoto, só o via de longe, mas sabia que gostava do seu olhar, o que a prendia a olhar sempre para ele. Mas, porque ela ficou tão constrangida e, de certa forma, irritada e triste ao vê-lo com aquela jovem? Ciúmes? Mas só se sente ciúmes de quem se ama. Oh, ela se assustou ao perceber, talvez um pouco tarde, que estava apaixonada por uma pessoa que nem se quer sabia o nome. Ao concluir seu raciocínio se sentiu mal e resolveu ir dormir.
Eram 20:15 quando Isabela acordou. Pôs o pé, ainda descalço no chão, sentiu frio e pôs seu casaco. Talvez porque estivesse um pouco atordoada, ela não havia percebido que estava chovendo. Olhou pela janela e se sentiu abençoada, segundo ela, quando chovia, era como se, a chuva estivesse a fazendo um favor em cair no chão e por sobre seu telhado. Ela se sentia presenteada. Ficou ali, olhando horas pela janela. Sua mãe se irritava quando ela fazia isso, porque segundo ela o cheiro da terra molhada a deixaria de pulmões ardidos, mas Isabela, teimosa e louca pela chuva, retrucava dizendo que aquele cheirinho curava qualquer mágoa do coração.
Sem querer seu pensamento fugiu para o garoto de olhar fascinante...
Já era manhã, a menina que passara a noite a observar a chuva, estava com o coraçãozinho confuso, porque o que ela temia, acabou acontecendo, se apaixonou, provavelmente iria sofrer, como todas as outras vezes. Ainda deitada, Isabela ouviu seu telefone tocar, ainda aquele número desconhecido que nem ao menos dava tempo de ela atender. Levantou e saiu.