sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Minha prova de Redação ²

Apenas o que me resta

   Morava em uma casa pequena, rodeada por um muro baixo, cor rosa, um rosa bem claro, em frente haviam muitas plantas, de todos os tipos, uma porta de cor branca e uma janela bem simpática. Tinha por volta dos cinquenta anos, era uma senhora simpática, porte médio baixo, cabelos grisalhos um pouco ondulados, no rosto havia sinais de cansaço e na boca não lhe restavam mais nenhum dente, era meio gorda e enjoativa.

   Levava a vida ali, em casa, cuidando de suas plantas, das quais, dizia ela, tinham sentimentos. Se sustentava com trezentos e oitenta reais que vinham pelo correio e mais um pouco ganhava alugando um quartinho que ficava nos fundos de sua casa. Tinha hábitos notáveis, gostava de sentar na varanda toda tarde às quinze horas  e ficar olhando o movimento da rua. Dona Candê era minha vizinha mas nunca falei com ela. Um dia criei coragem e resolvi ir à sua casa. Cheguei no portão e bati palma, minhas mãos soavam não sei porque. Ouvi o barulho de seus chinelos arrastando pelo chão, e finalmente a vi.

   Não sei por qual motivo, mas ela me olhou com certa ternura, e me disse para entrar. Sentamos na varanda e começamos a conversar. Disse-lhe meu nome e logo em seguida ela caiu em um choro sem explicação, ela tremia e soluçava, chamei então a ambulância.

   No dia seguinte soube que Dona Candê havia morrido. Fiquei sem entender e então perguntei ao médico que a havia atendido e ele me disse que antes de morrer havia me mandado um recado. Dona Candê era minha mãe que eu pensava que havia morrido e eu era o filho que ela há anos procurava. E então entendi o motivo do seu choro e porque eu a observava tanto! Comecei a chorar. E agora o que me resta são lembranças de Dona Candê.